Se lhe foi diagnosticada dermatite perioral, simplifique tanto quanto possível os cuidados do rosto com o seu médico de família ou dermatologista. Muitas vezes, isso significa usar menos cosméticos durante algum tempo, lavar com delicadeza e seguir um plano de tratamento individual. A sensação de repuxamento não exige automaticamente mais um sérum ou uma camada mais espessa de creme. Peça primeiro uma avaliação de borbulhas novas, persistentes ou pouco claras à volta da boca, do nariz ou dos olhos: uma fotografia ou o espelho não permitem saber qual é a doença.

Borbulhas à volta da boca nem sempre são acne

A dermatite perioral provoca pequenas borbulhas, muitas vezes acompanhadas de secura, descamação ou ardor. Também pode aparecer junto ao nariz ou à volta dos olhos; por isso se usa igualmente o nome dermatite periorificial. Numa pele clara, a vermelhidão e as borbulhas rosadas podem destacar-se mais. Numa pele mais escura, a cor pode ser diferente ou menos evidente. Não é necessário ter uma erupção de vermelho vivo.

A distribuição e a história dos sintomas ajudam o médico a avaliá-los. Evite tratar as borbulhas como acne por iniciativa própria, acrescentando vários produtos novos. Se o diagnóstico for de acne, será mais útil o nosso guia para cuidar da pele com tendência acneica. A rosácea e as diferentes formas de eczema também exigem abordagens próprias. Um conselho geral para pele seca não é, por isso, automaticamente o seu plano de tratamento.

Comece por rever os produtos que utiliza

Junte o produto de limpeza, creme de dia, maquilhagem, séruns e restantes cuidados faciais. Anote o que usa, quando e quais os produtos que causam ardor. Inclua os que aplica apenas ocasionalmente. Assim, poderá discutir de forma concreta o que pode deixar temporariamente e o que é necessário manter por fazer parte de um tratamento. Não precisa de comprar uma linha inteiramente nova.

A causa da dermatite perioral não está totalmente esclarecida. Alguns cosméticos e os corticosteroides podem ter um papel, mas isso não prova que um ingrediente específico tenha causado os seus sintomas. Evite criar sozinho uma lista cada vez maior de proibições. Uma fase com menos produtos facilita o cumprimento do plano combinado. Durante esse período, não comece ao mesmo tempo um esfoliante, um sérum novo e uma máscara nova.

A associação britânica de dermatologia BAD aconselha a evitar temporariamente cremes faciais e cosméticos durante os sintomas ativos, salvo indicação clínica diferente. Um creme barreira rico também pode não ser adequado. O nosso artigo sobre como tratar com suavidade uma barreira cutânea irritada dá contexto, mas a rotina hidratante aí descrita não se aplica automaticamente à dermatite perioral.

Só água ou um produto de limpeza suave?

É uma boa pergunta para levar à consulta. A BAD recomenda lavar com água durante os sintomas ativos. Já a American Academy of Dermatology explica que mudar para um produto de limpeza suave e sem perfume pode fazer parte de um plano individual. Estes conselhos não são um convite a alternar métodos constantemente: pergunte o que se adequa à sua pele e aos produtos que precisa de remover.

Peça, por exemplo, que lhe expliquem como retirar à noite um creme prescrito, a maquilhagem ou o protetor solar. Integre a resposta numa rotina simples de manhã e à noite. Se estiver indicada apenas água, passe-a suavemente com as mãos. Se o plano incluir um produto de limpeza, espalhe-o com delicadeza e enxague como combinado. A pele limpa não precisa de ficar a repuxar, excessivamente desengordurada ou especialmente lisa.

Seque com delicadeza e deixe as borbulhas em paz

Seque o rosto com pequenos toques de uma toalha macia. Esfregar com força, usar uma luva esfoliante ou uma escova de limpeza acrescenta fricção. Deixe também as crostas e as pequenas peles no lugar. Não tente retirar nada das borbulhas com as unhas ou com um instrumento para pontos negros.

Lave as mãos antes de realizar o passo de cuidado ou tratamento acordado. Depois, não precisa de tocar nem observar o rosto constantemente. Escolha um momento calmo para ver a evolução, em vez de verificar de hora a hora. Anote alterações importantes em vez de experimentar sempre outro produto. Assim será mais fácil explicar o que mudou desde a consulta anterior.

Fale dos corticosteroides antes de alterar alguma coisa

Os corticosteroides são medicamentos anti-inflamatórios que podem estar em cremes, pomadas, pulverizadores nasais, inaladores e comprimidos. Na consulta, refira também os medicamentos prescritos para outros problemas. Não comece a aplicar um creme de hidrocortisona comprado por iniciativa própria para fazer desaparecer estas borbulhas. Uma diminuição temporária da vermelhidão não significa que o problema esteja resolvido.

Não altere nem interrompa sozinho um medicamento prescrito. Pergunte a quem o receitou o que deve fazer, mesmo que suspeite de uma ligação com a erupção. Os medicamentos inalados ou outros clinicamente necessários continuam a ser necessários; esclareça a utilização correta. Ao alterar um creme com corticosteroides, os sintomas podem agravar-se temporariamente. Peça que lhe expliquem o que esperar e quando contactar o médico. Um artigo geral não pode fornecer um esquema pessoal de redução.

O tratamento exige tempo e acompanhamento

Algumas pessoas precisam de tratamento prescrito além de uma rotina mais simples, por exemplo um medicamento para a pele ou um antibiótico. O profissional de saúde decide o que se adequa. Não utilize sobras de um tratamento antigo nem o creme de outra pessoa. Pergunte como aplicar o medicamento, o que fazer em caso de irritação e quando será avaliado o resultado.

A melhoria costuma ser gradual. Segundo a AAD, a resolução completa pode levar semanas a meses; não é um prazo individual. Combine quando regressar se a melhoria for insuficiente. Quando a erupção acalmar, fale também sobre como retomar os cuidados habituais. Não reintroduza todos os produtos antigos ao mesmo tempo. Uma breve nota com o produto e a data de início ajuda na consulta seguinte.

Proteger a pele quando está no exterior

A proteção solar não trata a dermatite perioral. Continua, porém, a ser relevante para a pele exposta aos UV, por exemplo num passeio à hora de almoço, numa deslocação de bicicleta ou numa tarde na rua. Considere o índice UV, o tempo no exterior e a área de pele descoberta. O instituto neerlandês RIVM recomenda medidas desde um índice UV de 3. A exposição também pode contar no outono ou no inverno; um dia tranquilo dentro de casa não exige reaplicar automaticamente de duas em duas horas.

Prefira a sombra quando possível e use um chapéu de abas largas e roupa adequada. Fale com o seu médico sobre o protetor solar e a limpeza compatíveis com o tratamento. Para a pele descoberta que o tolera, a recomendação geral é FPS 30 ou superior de largo espetro. Aplique uma quantidade suficiente segundo o rótulo e reaplique no exterior aproximadamente de duas em duas horas, também depois de nadar, transpirar muito ou se secar com uma toalha, conforme as instruções. Não insista se houver ardor evidente: peça uma alternativa adequada.

Usado corretamente, o protetor solar ajuda a prevenir o cancro da pele, as queimaduras solares e o envelhecimento precoce causado pelo sol. Nenhum produto oferece proteção completa. Expressões como sem perfume ou hipoalergénico também não garantem que um produto seja adequado para a sua pele. Leia o que significam estas indicações e esclareça as escolhas sobre as quais tem dúvidas; um rótulo não substitui o tratamento.

Quando deve voltar a contactar o médico?

Peça uma avaliação de uma erupção nova ou pouco clara. Volte a contactar se houver um agravamento evidente, problemas com o tratamento prescrito ou melhoria insuficiente no momento de reavaliação combinado. Refira também sintomas novos à volta dos olhos. Leve a lista de produtos e medicamentos. Algumas perguntas concretas ajudam mais do que outra ronda de produtos ao acaso: o que retiro, como lavo, o que uso e quando reavaliamos?

A Soluveli está a desenvolver proteção solar diária para o rosto. O produto continua em desenvolvimento; não foi estabelecida por testes a sua adequação à dermatite perioral nem um efeito de tratamento. Se quiser saber quando estará disponível, pode inscrever-se para receber um único e-mail no dia do lançamento.

Fontes e contexto

5
  1. AAD — Borbulhas e erupção à volta da bocaInformação sobre o aspeto, possíveis fatores desencadeantes, discussão dos corticosteroides prescritos, cuidados suaves e melhoria gradual.
  2. British Association of Dermatologists — Dermatite perioralO folheto para doentes aconselha menos produtos faciais e lavagem com água durante os sintomas ativos, salvo indicação clínica diferente. A última atualização indicada é fevereiro de 2023.
  3. AAD — Protetor solar e proteção do solInformação geral sobre prevenção do cancro da pele, queimaduras solares e envelhecimento solar precoce, FPS 30 ou superior de largo espetro e reaplicação no exterior.
  4. RIVM — Proteção a partir de um índice UV de 3Recomendações neerlandesas conforme a exposição: sombra, roupa e protetor solar desde um índice UV de 3. Não é um tratamento da dermatite perioral.
  5. DermNet — Dermatite periorificialEnquadramento dermatológico sobre a doença, redução de produtos, cremes oclusivos, medicamentos necessários e evolução. Sem esquema pessoal de tratamento ou de redução dos corticosteroides.